quinta-feira, 7 de abril de 2011

Denise Max fala do amor aos animais



Ao chegar na casa de Denise, 55, os desavisados talvez possam se assustar com a quantidade de latidos, de cachorros e com a receptividade da proprietária. Despida de qualquer vaidade, comum às mulheres, Denise usa botas de borracha, roupas surradas e as rugas em seu rosto parecem expressar a triste realidade que seus olhos presenciam a cada dia.

“Desde que eu nasci eu já amava bicho” afirma Denise ao contar que já em São Paulo, onde morava anteriormente, criou uma Ong em conjunto com amigas onde mantinham cerca de 60 animas numa chácara. Mas há sete anos, desde que se mudou para Uberaba, que se dedica totalmente a eles. Os cachorros moram com Denise, todos eles vivem soltos no quintal e a rotina de trabalho começa às 5h.

Segundo Denise ela começou a cuidar dos animais porque via tanto sofrimento nas ruas que ela não conseguia ir para casa e parar de pensar no sofrimento que via. Conta que não teve tempo nem vontade para ter filhos. Sempre viajou e trabalhou. Morou em São Paulo muito tempo e a vida corrida preencheu o vazio de não ter filhos. Mas ela acredita que mãe de cachorro também a mãe, segundo ela, a única diferença é que um tem quatro patas.

Atualmente Denise cuida sozinha de 232 cachorros, além dos gatos e cavalos. Segundo ela as pessoas se propõem a ajudar somente no ímpeto, na compaixão e depois se esquecem do compromisso assumido. O veterinário Marcelo Staciarini presta assistência profissional aos animais.

O sonho de Denise é proporcionar uma melhor estrutura aos seus animais. Recentemente foi doado uma área de cinco mil e duzentos metros onde ela pretende construir canis, ambulatórios, salas de banho e solares. O objetivo é que os animais “vivam com dignidade, que a maioria deles são indoáveis”.

Denise com olhos lacrimejados relata os casos que mais a chocaram, dentre eles os casos que mais a incomoda são os cachorros cegos que são abandonados na rua. Outro caso que a chocou ocorreu recentemente, foi da cadela Laica que viveu a vida inteira acorrentada e o ex-dono chegou a quebrar a pata da cadela e deixá-la sem água e comida para depois a abandonar.

“Tem hora que eu me sinto até meia perdida no que eu tô fazendo. Esse massacre que fizeram com as crianças- referindo-se à tragédia que ocorreu no Rio dia 07 de abril- e esse homem que mata, que estupra, que mente, que é cruel e eu tentando que esse mesmo homem ame os animais, parece uma luta em vão, mas eu não posso me dar o luxo de parar.” Desabafa emocionada Denise.

Para a protetora dos animais, acabar com o abandono é utopia, mas para ela simples ações poderiam ajudar como a esterilização em massa dos animas em especial os da periferia, chipagem dos animais para multar os donos que abandonarem seus animais e educar as crianças nas escolas.

Aos que amam os animais, mas não podem adotá-los, Denise lembra que os animais podem ser apadrinhados. Os padrinhos podem colaborar com ração, remédios, levar pra tosar e dar banho ou colaborar com a quantia que puder, para quem não tem tempo. A casa da Denise fica na Rua das Macieiras, 499, Bairro de Lourdes.

 

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